quinta-feira, 9 de junho de 2011

Manoela e Raul

Comecei as aulas de dança como uma desculpa. Com a chegada do bebê e a mudança radical de rotina e comportamento, mais algumas frustrações de um parto doído que me assombravam cotidianamente, eu fui ficando muito "bicho do mato", presa dentro da toca, onde ficava o ninho- e eu precisava sair! Sair pra rua, ver gente, conversar, pegar chuva, trânsito... me sentir mãe - no mundo. Nas aulas descobri muito sobre mim e sobre como estava estranhando o corpo depois do parto; desequilíbrios, tonturas, o peso do mundo sobre as costas. A partir do movimento, da possibilidade de se soltar, de soltar a tensão do corpo, de soltar o corpo no embalo de um ritmo, abandonar pensamentos eu pude deixar o corpo, a dança, os sentimentos, e até a vida fluirem. 
Pude trocar muito com outras mães também, de acompanhar o desenvolvimento de seus bebês e de suas histórias de vida, enquanto mulheres. Por sorte, encontrei pessoas maravilhosas no caminho que me auxiliaram, talvez sem saber, a transformar minha idéia de maternidade e maternagem.
 Além disso, tive a posibilidade de entender os equilibrios do corpo, a força dos ossos, as dinâmicas dos músculos - sua rigidez (ou flacidez desesperadora),  e direcionar toda uma curiosidade que nasceu acerca do corpo e sua fisiologia durante a gestação, para as  ações tão banalizadas no cotidiano como caminhar, abaixar, se mexer,  e que me deram equilibrio para uma nova fase da vida. 
Mas, agora, o mas importante: não era uma dança pra mim, era uma dança pra nós dois. Descobri nas aulas a força do vínculo entre eu e aquele serzinho carequinha e fofuxo. Tive momentos de contato e interação tão descontraídos com meu pequeno Raul, que todo dia me fazia redescobrir o prazer de ser mãe. Cada risadinha, me injetava ânimo e sentido para a experiência da maternidade. Aprendi muito sobre ele nesses encontros. E, de certa forma, me gabava quando chegava em casa pelo novo jeito de faze-lo sorrir, recém descoeberto. 
Se eu fosse hoje pras aulas, acho que aproveitaria mais ainda. No entanto, como foram - e principalmente, no momento que foram, posso dizer que foram essenciais pro meu processo de nascer como mãe e sou imensamente grata pela oportunidade.

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