terça-feira, 11 de setembro de 2012

"The ultimate challenge" - A Maternidade e a vida Profissional


    Não gosto muito de usar palavras "gringas" pra me expressar, mas esses dias uma amiga materna usou este termo pra comentar um lanche que fiz  para meu filhos que tinha o objetivo de ser saudável e ao mesmo tempo agradar MUITO as crianças. Aí fiquei pensando em qual era meu maior desafio no momento com relação à maternidade... e percebi que é o "de sempre"... Uma tarde dessas aqui em casa, cuidando do jardim, ao som de passarinhos, e ao mesmo tempo me "embrenhando em matas perigosas para matar dragões" junto com meu filho de 3 anos, me veio a sensação deliciosa de estar em casa, cuidando do "ninho". Sensação que eu adoro, de ver crescer uma criança, cuidando pra que se desenvolva de forma saudável, dentro do que é possível na nossa vida e na época em que vivemos. Sensação boa, mas que muitas vezes vem carregada de culpas e do medo de "errar feio", já que errar é inevitável e "acertar" será sempre relativo.  E assim continuo a busca de clareza sobre o que realmente quero e acredito ser o melhor, e a busca  de coerência entre minhas palavras e ações. Parece fácil...

Elis e João, meu filhos, por Vivian Machado Lopes lourenço
Um pouco por escolha e um pouco pelas circunstâncias da vida, tenho ficado mais em casa e olhado com mais cuidado para meus filhos e para mim mesma como mãe, esposa, mulher... e lá vem a a velha crise de conciliar a maternidade e a vida profissional. Pra mim é uma crise antiga que começou mesmo antes de ser mãe, quando sentia uma imensa vontade de estar em casa e me ocupar de cozinhar, plantar, cuidar... Quando vieram os filhos e, com eles, mudanças no rumo profissional, fui ficando mais satisfeita, vislumbrando a possibilidade dessa conciliação no trabalho com a Maternidade... gestantes, mães e bebês, parto, puerpério e, além disso, incluindo uma antiga escolha: a Dança! Tudo resolvido, certo? Errado!


À medida que o volume de trabalho foi aumentando, e a pressão (interna e externa) também, meus filhos iam ficando mais "terceirizados". Tá certo que tenho o privilégio de ter mãe e pai por perto e também uma zelosa  ajudante, mas não deixa de ser terceirização... Isso quando não recorro à televisão, que ainda estou criando coragem pra abolir da rotina aqui de casa. Para mim, o mais difícil é ver que, quando não estou por perto, a "coisa" pode sair bem diferente do que eu faria, assim como já acontece na escola... tá certo, não é o fim do mundo... mas me leva a constantes reflexões sobre minhas escolhas e, de novo, a busca da coerência.


Procuro não julgar quem faz escolhas diferentes da minha... Obviamente não estou falando de quem não tem opção. Apenas sinto que minha "missão" é mais micro, embora ainda não tenha conseguido achar o ponto de equilíbrio... Deve ser porque não está em carga horária de trabalho... São medidas de necessidade que variam tanto... um filho doente, uma filha carente, uma planta que precisa ser regada uns dias mais, outros menos, um livro a ser lido, uma história a ser contada... E assim continuo nessa maravilhosa e desafiante dança que é a maternidade, sem coreografia, e sempre muito movimentada.