segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mais Silêncio - Algumas reflexões na SMAM 2013

João mamando... fotografia feita pela irmã Elis

O tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno deste ano é o Apoio às mães que amamentam: próximo, contínuo e oportuno.

Como mãe, fiz um exercício reflexivo de lembrar como foi o apoio que recebi para amamentar meus dois filhos e foi difícil recordar situações concretas. Não tive nenhuma dificuldade mais marcante no início, como fissuras, mastite ou engurgitamento. Mas me lembro de momentos em que a insegurança batia e eu duvidava do meu corpo e da minha capacidade de nutrir meus filhos. Em outros momentos, estava tão segura que, mesmo que a balança dissesse o contrário, eu não tinha dúvida de que tudo estava bem e eles cresciam saudáveis. O desmame também aconteceu de maneira gradual e relativamente tranquila, embora eu não possa negar os momentos de dualidade, de dúvidas e inseguranças. 

Quando me tornei mãe, há 9 anos atrás, sentia falta de uma "tribo", de conversar com outras mães e profissionais sobre o momento que estava vivendo. Minha própria experiência despertou a vontade de ajudar outras mulheres, montar grupos, oferecer atividades de suporte e desde quando meu filho nasceu (há quase 5 anos) venho acompanhando mulheres nesse processo de maternagem em atendimentos individuais e nas aulas de dança. Não tenho dúvida que esse apoio faz diferença e é necessário, mas também não tenho dúvida de que não existe uma única forma de fazê-lo pelo "simples" fato de que cada mulher e cada família vive a sua própria história. Acredito que meu desafio atual como profissional é ouvir e acolher a singularidade. Parece óbvio e simples, mas não é... Não é óbvio porque, muitas vezes, eu me vejo caindo na "armadilha" de dizer que amamentar é lindo, maravilhoso, o melhor para a mãe e o bebê... Mas esqueço de dar a mesma ênfase para os desafios, as dores e a profundidade emocional que pode envolver esse processo. Outras vezes me pego tentando dar "receitas", mesmo sabendo que elas não existem. Não é simples porque tenho minhas próprias crenças e convicções como mãe e profissional e nem sempre consigo incluir a diversidade. Não é simples porque, na tentativa de ajudar, quero falar, dar sugestões e me esqueço de ficar um pouco em silêncio...

O silêncio...

Aqui e agora, pensando sobre esse emaranhado processo, posso conclui que, se não me lembro das formas de apoio que tive ao amamentar, foi devido ao silêncio... O silêncio do meu marido... quando ficava com nossos filhos ao amanhecer (meu horário de sono mais profundo e necessário). O silêncio diante da minha decisão de trazer a Elis (na época com 4 anos) para dormir em nosso quarto quando o João nasceu e assim poder dormir mais tranquilamente. O silêncio de sair do nosso quarto e dormir o resto da noite ao lado deles no processo de desmame noturno, quando eu tinha chegado ao meu limite. O silêncio da minha mãe que, sem dúvida, algumas vezes questionava minhas opções mas se esforçava em respeitar minhas escolhas. O silêncio... mas não o silêncio da omissão... o silêncio do respeito, da compreensão, da aceitação, o silêncio da humildade, do incentivo à autonomia. Um silêncio com presença e com escuta. 

Hoje, o que eu desejo a mim mesma e à todas as pessoas que apoiam o Aleitamento Materno é a presença e o exercício do silêncio... o silêncio que antecede e prepara as melhores palavras.